A vida que ninguém vê

26/10/2011

A equipe do cotidiano

Filed under: Devaneios — Karina Ribeiro @ 18:32
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Desde sempre trabalhamos em equipe. Papai e Mamãe tem aquela noite de amor e quando percebem: gol! E você foi fecundado… A Mamãe passa 9 meses toda preocupada com sua alimentação, boas noites de sono, descanso e o Papai apenas em não chatear a Mamãe. E num piscar de olhos: bingo! E você nasceu… Você chora e a Mamãe o amamenta, você chora e o Papai lhe dá a chupeta, você chora e a Mamãe troca sua fralda e você chora de novo e vai para o colo do Papai e quando você vê: pimba! E você cresceu… Você quer sair tarde, voltar de madrugada, o Papai libera e toca pra Mamãe que pergunta com quem? onde? quando? que horas? e o Papai acorda na madrugada para ir buscá-lo…O Papai chega cansado do trabalho e a Mamãe corre para abraçá-lo, a Mamãe reclama que está feia e gorda e o Papai diz que nunca viu mulher mais linda…Papai e Mamãe brigam e você escuta, fala com um, fala com outro e quando perceber: está tudo bem de novo! E por aí vai… Sempre um por todos e todos por um. Assim é que deveria ser sempre, em todo e qualquer lar, em todo e qualquer lugar!  

12/12/2008

O espírito natalino

Filed under: Crônicas — Karina Ribeiro @ 12:50
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Em meados de novembro e dezembro tenho a sensação que a cidade fica mais colorida, o trabalho fica mais leve, as pessoas se preparam para as festas de fim de ano da empresa, com a família, organizam trocas de presentes com o tal do amigo secreto, programam suas férias, planejam viagens. Em geral, parece que as pessoas ficam mais alegres, solidárias, otimistas.

Quando eu era criança, esperava ansiosa por esta época do ano. Costumava visitar lugares conhecidos por suas belíssimas decorações natalinas. Lembro-me que no Jardim França, bairro nobre da zona norte de São Paulo, havia uma casa mais enfeitada que a outra.  Parecia que os moradores participavam de alguma competição. A cada ano uma novidade diferente: papai-noel escalando a chaminé, renas iluminadas no quintal, cascata de lâmpadas iluminando toda a casa.

Na minha rua, nos fins de tarde, os mais velhos colocavam suas cadeiras na calçada e ficavam sentados observando toda a movimentação dos vizinhos que decoravam suas casas com árvores e luzinhas de Natal, enquanto eu e outras crianças brincávamos, até tarde, de pique – esconde e corre – corre.

Desde aqueles dias não passou tanto tempo, mas o suficiente para mudar muitos daqueles costumes. Hoje, não moro mais naquela rua. Há quatro anos, devido a três assaltos consecutivos, eu e minha família nos mudamos para um desses condomínios fechado no pico da Serra da Cantareira, onde ninguém conhece ninguém.

No final do ano passado voltei a minha antiga casa. A rua estava vazia. Meus vizinhos, àqueles que sentavam na calçada, já não têm mais esse hábito. Assim como a idade chega para todos, nos dias de hoje, parece que a violência também. Por isso, as crianças não brincam mais na rua. E por conta dos roubos que ocorreram nos últimos anos, de adereços natalinos, as casas já não são mais enfeitadas.

Naquele bairro famoso, Jardim França, nem parecia Natal. Os moradores foram orientados pelos seguranças a não decorarem mais suas casas como antigamente. A cada Natal, as ruas iluminadas aumentavam os números de visitantes e de carros roubados no bairro. De repente, o Natal perdeu a cor.

Já estamos em novembro e posso observar as ruas cheias, assim como as lojas e os estacionamentos. O trânsito é intenso, assim como as atividades no trabalho. O corre – corre não é mais brincadeira. A festa de final de ano da empresa parece à oportunidade ideal para lamentar com os colegas as férias adiadas, o salário congelado e as crescentes responsabilidades atribuídas na sua carga horária de 24 h por dia no trabalho.

O amigo secreto virou amigo da onça e o Natal transformou-se somente em mais uma data para alavancar as vendas no mercado. Na minha cabeça fica uma dúvida. Será que todas essas coisas tenham realmente mudado ou só foi eu que cresci?

 

Natal

Esperança alimenta o espírito do Natal

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