A vida que ninguém vê

04/01/2011

Dia de sorte

Filed under: Karina Ribeiro — Karina Ribeiro @ 13:25
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Aprendeu com sua avó e durante todo o ano carregou consigo um dinheirinho que não gastara por nada. Superstição, simpatia, o nome não importa! Tinham fé que com essa prática, nunca haveria de lhes faltar dinheiro.

Na carteira, entre outras notas, aquela era invisível. Mas o destino daquele valioso pedaço de papel estava traçado. Antes que o ano acabasse, deveria ser doado e, enfim, sairia da reclusão em que permaneceu durante todo o ano.

Estava pensativa, quando o sinal vermelho brilhou.

Do seu lado esquerdo viu se aproximar duas crianças, a maior estava munida com duas varetas e uma bola, equipamento para praticar o malabarismo e responsável pelas moedas que ganhariam e garantiriam seu sustento naquele dia.

Sem pensar, ela fechou o vidro e agradeceu, dipensando e impedindo o pobre menino de praticar seu ganha pão.

No segundo seguinte ela olhou para o menor: estava descalço, tinha as mãos sujas, um olhar triste e não aparentava tão pouca idade, camuflada pela pobreza e sofrimento recorrentes.

Sentiu uma tristeza!

Lembrou da nota e não teve dúvidas de que aquele seria um bom momento.

O sinal verde brilhou, ela olhou pelo retrovisor e viu que havia uma fila de carros aguardando sua partida, mas naquela hora não se importou. Chamou os meninos e entregou para o menor seu rico dinheirinho. A reação não foi costumeira!

Com os olhos arregalados, impressionado com o valor da nota, ele sussurrou: noooooooossa!

– Divida com ele!

– Deus te abençoe, feliz ano novo, muito obrigado…

Ela sorriu e partiu com uma sensação boa, mas desejou que não faltassem oportunidades para que todos pudéssem crescer e se desenvolver com dignidade.

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